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Muito barulho por nada
Star Wars: Episódio I - a Ameaça Fantasma diverte mas não convence
Por Rodrigo Flores             
Assistir Star Wars: Episódio I - a Ameaça Fantasma no primeiro final de semana em cartaz é missão para fazer inveja 
a qualquer Jedi. Ainda mais para quem tinha baldes de pipoca no lugar do sabre de laser. Tumulto, empurra-empurra, 
filas quilométricas. Ingredientes que não poderiam faltar no maior lançamento cinematográfico do ano. 

A história todo mundo já sabia. Dois guerreiros Jedis (interpretados por Ewan Mcgregor e Liam Neeson) ajudam a princesa 
Amidala (Natalie Portman) a libertar o planeta Naboo do bloqueio imposto pela Federação. Durante a saga, o grupo encontra 
o garoto Anakin Skywalker, que se tornará Darth Vader no futuro. 

Antes do filme começar, dei uma olhada ao redor. A maioria dos espectadores era composta de adultos, universitários, jovens
casais. Pessoas que, como eu, passaram a adolescência vibrando com os duelos entre Luke Skywalker e Darth Vader (sem 
dúvida, um dos vilões mais carismáticos da história do cinema). Fãs que se divertiam com  R2D2 e C-3PO, que deliravam com 
a destruição da Estrela da Morte, etc.

Pois é, o tempo passa... O primeiro Star Wars já está há anos-luz de distância, o Chewbacca e o Harrison Ford já fazem parte 
do passado. O filme traz exatamente a mesma fórmula do sucesso dos três primeiros episódios: efeitos especiais, suspense 
e aventura em doses cavalares. Mas falta alguma coisa, talvez o mais importante. Falta a magia.

Não quero dar a impressão de que o Episódio 1 é ruim, pois não é. A diversão é garantida do começo ao fim. Além do mais, 
trata-se de um filme obrigatório para quem não quer se sentir deslocado nas conversas de bar com amigos. O único problema 
é que não me identifiquei com o filme. Talvez eu esteja ficando velho, e seja a vez dos adolescentes de hoje se divertirem 
com aventuras permeadas com fortes emoções e com finais mirabolantes. 

Essa sensação incômoda me atormentou durante algum tempo (afinal, não sou tão velho assim). Qual seria a origem da minha
frustração? A conclusão é mais ou menos a seguinte. Episódio I mantém-se fiel na estrutura narrativa de Star Wars (1977). 
Bom, não? Nem tanto. O que poderia parecer positivo em uma primeira análise acaba sendo a perdição do filme. Basta dizer que 
em 1977 o cinema era outro, e o ritmo frenético e alucinante proposto por Lucas naquela época era  revolucionário (e aí reside 
um dos méritos da trilogia original). Mas muita coisa mudou de lá para cá. Caçadores da arca perdida (Spilberg, 1981) aproveitou
e aperfeiçoou a fórmula da ação extrema e ininterrupta. Desde então, centenas de filmes mostram exatamente a mesma coisa. 
Com raras exceções (e Episódio I não é uma delas), vale a regra de que "quem viu um, viu todos". Até mesmo os efeitos especiais 
(outra revolução de Lucas na década de 70) perderam muito de seu impacto junto ao público. Basta lembrar que A Múmia e 
Matrix, em cartaz simultaneamente com Episódio I, também abusam de recursos de computação gráfica.

A conclusão é de que Lucas acabou sendo traído pela fórmula que ele mesmo inventou. Sem inovações em relação aos filmes 
anteriores, Episódio I nivela-se com dezenas de outros filmes regulares lançados todos os anos.  

Lucas promete mais dois episódios, sendo o próximo para o ano 2001. Resta esperar que ele não caia no mesmo erro. Caso 
contrário, que a força esteja conosco...