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Emoção e diversão
O primeiro ano do resto de nossas vidas retrata (bem) o rito de passagem para a vida adulta
Por Adriana Mori
Um filme típico dos anos 80,
despretensioso, divertido e bom de se assistir. Assim é O primeiro ano do
resto de nossas vidas. O filme, a despeito da trama por vezes bastante boba,
baseia-se na vivência e convivência de um grupo de amigos recém formados na
faculdade e apesar do elenco fraquinho, mostra-se surpreendentemente bom. Muito
disso se deve a Schumacher, um diretor regular que alterna bons e maus momentos.
Nesse filme, despretensioso e bonitinho, felizmente, ele estava em um bom
momento.
Rob Lowe é Billy, o irresponsável e imaturo que acaba percebendo
que a vida vai além do que vivia na escola. Ídolo do time de rugbi, é um músico
e uma pessoa frustrada. Ele é a paixão de Wendy (Mare Winnigham), a certinha da
turma, virgem e introspectiva, que trabalha como assistente social e quer vencer
na vida sem a ajuda de sua família rica. Suas melhores amigas são Jules (Demi
Moore) e Leslie (Ally Sheedy). Jules está numa encruzilhada profissional e
sentimental: atolada na mesmice em seu emprego, ela vê uma luz no fim do túnel
tornando-se amante de seu chefe. E o pior, contraindo o mesmo vício que ele.
Leslie é arquiteta e namora Alec (Judd Nelson), assessor de um candidato a um
cargo público que vê no casamento uma ferramenta para a ascensão e
possibilidades na carreira política.
O melhor amigo de Leslie e Alec é
Kevin (Andrew MacCarthy), um jornalista que trabalha em um jornal pequeno que
espera a sua grande chance como escritor. Apaixonado por Leslie, ele é o
confidente de Alex em suas eventuais escapadas. Kevin divide o apartamento com
Kirby (Emilio Estevez), que trabalha como garçom no St. Elmo's Fire, um bar onde
a turma costuma se reunir. Kirby está apaixonado por Dale (Andie MacDowell), uma
jovem médica residente que mal sabe que o rapaz existe.
Alguns dos bons
momentos são inesquecíveis, como quando Kirby dá uma festa especialmente para
convidar Dale e fica sabendo que ela foi às montanhas esquiar. Ele vai atrás
dela, atravessa o gelo e a neve para chegar lá, e quando chega, percebe que ela
está lá com o namorado. Seu carro atola e ele não consegue ir embora, sendo
obrigado a passar a noite no chalé do casal. Ou o discurso de Billy para Jules
quando ela perde tudo que tem por causa de dívida de drogas, falando sobre o
fogo de St. Elmo e como o que ele fala tem a ver com o que os seis viveram e
vivem até então. E aquele cabelão da Demi Moore, o que é? É bastante lógico que
ela tenha começado a fazer sucesso quando deixou para trás aquele cabelo e
aquelas roupas pink-verde limão e trocou tudo pelo cabelinho curto e as
camisetas cinza mescla básica que ela usou em Ghost.
Apesar de serem
todos bonitinhos, parece que só Demi Moore e Andie MacDowell (de Sexo,
mentiras e videotape, Quatro casamentos e um funeral e Green
card, entre outros) fizeram sucesso em suas carreiras. Recentemente, Rob
Lowe apareceu em filmes de sucesso, porém de gosto lamentável, como Austin
Powers e Wayne's World. Emilio Estevez, que esteve em um filme cult,
Repo Man, de Alex Cox, parecia ser o mais promissor de todos, mas após
alguns sucessos como Young Guns e Tocaia, também desapareceu.
Andrew MacCarthy participou de um dos filmes adolescentes mais legais de todos
os tempos, A garota de rosa shocking, mas como passou da idade de ser o
galã adolescente, rareiam-lhe os bons papéis, sendo lembrado agora
principalmente para bombas como Um morto muito louco. Judd Nelson e Ally
Sheedy, que ao lado de Emilio Estevez, Molly Ringwald, Anthony Michael Hall,
faziam parte do Clube dos cinco, desapareceram. E Mare Winnigham,
então?
Encontros e desencontros pemeiam os relacionamentos dos sete
personagens, tanto entre si quanto com os outros. Porém, tudo é esquecido quando
eles estão em St. Elmo's Fire, onde eles bebem, relaxam e tentam esquecer os
problemas da vida adulta. Porém, cada vez mais eles são forçados a confrontar a
realidade e deixar os dias felizes da juventude para trás. O rito de passagem do
grupo é comum à maioria das pessoas, que certamente se identificará com um ou
mais personagens. Fica visível o crescimento dos personagens durante a trama e
que nunca mais voltarão a ser os adolescentes que um dia eles foram. Assim como
nós.