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Uma linda mulher em Quatro Casamentos e Um Funeral

Roberts e Grant em boa forma em mais uma comédia romântica

Por Adriana Mori

O que acontece se juntarmos Julia Roberts e Hugh Grant em uma comédia romântica, com um roteiro encantador e totalmente inverossímil em um bairro charmoso de Londres, com o mesmo diretor de Quatro Casamentos e Um Funeral, o filme com a maior bilheteria da história da Grã Bretanha? O resultado dessa mistura é um filme delicioso e descompromissado, Um lugar chamado Notting Hill, que estreou no Brasil com a credencial de ter arrecadado US$ 100 milhões só nos Estados Unidos.

Ponto para Julia Roberts, que interpreta a porção americana da história. O roteiro parece ter sido feito sob medida para Julia, que após ter sido ofuscada por Rupert Everett e Cameron Diaz no sucesso O Casamento do Meu Melhor Amigo, encontrou em Notting Hill o veículo ideal para brilhar. Ela aparece encantadora e cativante na pele de Anna Scott, a atriz mais famosa do mundo, milionária e, apesar de tudo, um tanto triste. Com compromissos profissionais em Londres, ela acaba entrando na loja de William Thacker (Hugh Grant, com seu ar apatetado, tímido e trapalhão como sempre), a The Travel Book, uma bagunçada livraria especializada em livros de viagens no bairro londrino de Notting Hill.

Por um desses acasos só explicáveis em filmes românticos, a segura Anna se envolve com o carente William e o casal passa a se deparar com as situações comuns à rotina das pessoas famosas. O diretor Roger Mitchell dá uma boa amostra do que significa ser uma celebridade, com uma crítica aberta ao comportamento da mídia sensacionalista. Anna é condenada pela imprensa pelo que faz, que fez e o que acham que ela faz eque não é da conta das pessoas. Fica claro o ressentimento do diretor, amigo pessoal de Hugh Grant, em relação à imprensa no episódio Divine Brown, em que o ator foi flagrado praticando sexo oral dentro de um carro em Beverly Hills. Uma das cenas que melhor demonstra a qualidade da imprensa é quando, para reencontrar William, Anna o convida para uma coletiva de imprensa a respeito de seu novo filme. William, desajeitado e desacostumado com o burburinho, acaba se apresentando como o repórter da revista Hound & Hunting, especializada em caça. Grant dá muitos foras - divertidíssimo para quem já participou de coletivas de imprensa.

Ao mesmo tempo, Anna também se vê envolvida com a rotina de pessoas comuns, na convivência com o mundo de Thacker, como o jantar de aniversário da irmã dele, fã de carteirinha da atriz. Depois do jantar, inimaginável para uma estrela, Anna invade o jardim privado de uma típica vila inglesa e posteriormente, depois de uma crise, invade a casa de Thacker em busca de aconchego após a exploração da mídia a eventos do passado (exatamente como aconteceu com Sophie Rhys Jones).

O final é previsível? É. O filme é descaradamente romântico? É. Não é exatamente um clássico, mas se deixa ver, principalmente porque tem uma boa trilha sonora, um ar encantadoramente londrino e bons momentos no roteiro. Os que rendem boas risadas ficam por conta principalmente de Spikey, o tresloucado inquilino de Thacker, interpretado por Rhys Ifans. Se fosse escocês, poderia se passar muito bem por um dos loucos de Trainspotting: Spikey é todo destroçado, mas divertido, garantindo o humor nas cenas em que tudo parece estar perdido para o casal principal. Triste mesmo foi ver o Alec Baldwin feio e gordo, como o namorado de Julia que vai a Londres visitá-la e mela o romance que parecia ir tão bem...Mas, como em todo o conto de fadas previsível e descaradamente romântico, no final eles serão felizes para sempre.