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Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma
Mas quem nasceu Brendan Fraser não vai chegar a Harrison Ford
Por Adriana Mori
Egito, começo do século. Um pequeno exército sob o comando de um inglês é destroçado por um bando de beduínos. O bonitão Rick O'Connell está prestes a perder sua (linda) cabecinha, mas na hora H o inesperado acontece, salvando o herói. Um herói bonito, arrojado, culto, aventureiro... Opa!!! Será que caímos em um filme de Indiana Jones?
É essa a impressão que se tem em A Múmia. Baseado em no filme de terror de mesmo nome, filmado em 1932 com Boris Karloff no papel principal, a múmia em questão é um sacerdote condenado a uma morte cruel pelo assassinato do faraó, por amor à favorita do harém do faraó. Após séculos, uma expedição liberta a múmia de seu sono, que sai do deserto para readquirir sua forma humana e ressuscitar sua amada.
A aventura até que é emocionante, acerta em alguns momentos e falha em outros, permeando os bons e maus momentos de efeitos especiais. Alguns deles realmente especiais, mas falaram tanto da tal da cena da tempestade de areia que acabou criando uma expectativa muito grande. Não foi lá grande coisa; já que começamos falando de Indiana Jones, impacto por impacto, ponto para a cena em que os espíritos são libertados em Os Caçadores da Arca Perdida.
O grande problema de A Múmia é a falta de criatividade. Não há nada de inovador, o espectador fica com uma sensação de dejà vu em muitas passagens. O filme tem muito em comum com outros filmes de aventura, notadamente os da série Indiana Jones. Seu mote é a busca por algo maior. A expedição para a cidade perdida de Hamunaptra, a Cidade dos Mortos do Egito assume o mesmo papel que a busca pelo Templo da Perdição, pela Arca Perdida e pelo Santo Graal, em seus respectivos filmes. O ritmo da ação, as surpresas e os percalços enfrentados, até os personagens, desde a companheira de aventuras que se torna o objeto de afeição, passando pelo ajudante atrapalhado até o inimigo aparentemente imbatível, estão presentes em ambos.
Apesar disso, Indiana Jones está anos-luz à frente. Além do roteiro engraçado e o humor sutil sempre presente, Indiana Jones conta ainda com um pano de fundo histórico, onde realidade e ficção se misturam (quem vai esquecer o autógrafo que Hitler deu a Indy no diário do pai, em Indiana Jones e a Última Cruzada?). O grande vilão da série Indiana Jones é o regime nazista, não um monstro do deserto devorado por escaravelhos que volta à vida para se vingar da humanidade que tanto mal lhe fez (!!). A busca de Indy é humana, lida com a fé, num limite realidade-crença extremamente tênue, possível, trazendo-o para o plano real. Mas, ao contrário do que parece, A Múmia não é ruim. Tem alguns bons momentos,um roteiro interessante, efeitos especiais acima da média, porém falta um tchans. Talvez pudesse entrar para o panteão das grandes aventuras se o personagem vivido por Brendan Fraser tivesse mais apelo, mas Rick O'Connell não é Indiana Jones, o que faz de A Múmia um caso típico de filme feito sob medida para virar Tela Quente e, daqui a alguns anos, Sessão da Tarde