Principal | Top 10 | Você Sabia...? | Filmes | Críticas | A bomba do mês | Editorial | Entrevista | Fale Conosco


Relações ambíguas

Com seu M. Butterfly, Cronenberg se baseia em fato real para discutir a ambiguidade

Por Edilson Saçashima

Neste filme, David Cronenberg deixa de lado as fraturas expostas e os seres repugnantes para nos contar uma estranha e obsessiva história de amor. Mas os fãs do cineasta canadense não precisam se preocupar. Cronenberg permanece fiel a suas tradicionais questões envolvendo o corpo humano e seus limites. O tema do corpo como um obstáculo está presente na maioria dos filmes de Cronenberg. Em A Mosca, ele serve como uma espécie de casulo para a gestação de um inseto. Em Scanners, a mente sobrevive apesar da finitude do corpo. Em M. Butterfly novamente o corpo é um obstáculo, mas desta vez a questão atinge níveis metafísicos. Aqui, Cronenberg trata da inadequação do corpo com a sua alma, seu espírito. Esse conflito já se anuncia no título. O termo "Butterfly" (borboleta, em inglês) permite vislumbrar a questão da metamorfose, atransformação de um ser em outro. Além disso, o "M." pode se referir tanto a "Madame" como a "Monsieur".

O filme todo gira em torno da ambiguidade, seja ela nas relações entre Gallimarde Liling, ou entre os personagens (espiões voluntários ou não) e seus países.Com isso, Cronenberg consegue manter a tensão do filme, prendendo a atenção do espectador, apesar do enredo de amplo conhecimento popular. Destaque para mais uma atuação segura e competente de Jeremy Irons.