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Curtis Hanson acerta a mão em LA, Cidade proibida

Oscars de Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante coroam um dos melhores filmes de 1997

Por Adriana Mori

Década de 20. Los Angeles, cidade dos anjos, de prostitutas talhadas à imagem e semelhança de grandes divas do cinema, como Lana Turner, Rita Hayworth e Greta Garbo. Cidade da revista sensacionalista Hush Hush, cujo editor, Sid Hudgens (Danny De Vito) paga cachês para que que o detetive Jack Vincennes (Kevin Spacey) faça flagras de prisão de ricos, famosos e emergentes em atos ilícitos. Nada parece o que realmente é em L.A., cidade proibida (L.A confidential, 1997). Adaptado do livro de mesmo nome, de James Ellroy, esse é um dos melhores filmes de Curis Hanson (diretor de bombas como A mão que balança o berço, Rio selvagem). Uma tentativa bem feita e bem sucedida de ressuscitar os velhos filmes noir, Hanson costura habilmente a trama, prendendo a atenção, flerta com temas presentes constantemente no imaginário popular (prostitutas de luxo, fofoca, gente famosa, violência, corrupção policial).

O resultado é um filme engenhoso e muito agradável tanto pela belíssima reconstituição da época quanto pela trilha sonora idem. Outro ponto forte é a performance do elenco, em especial Russell Crowe (o padre atirador de "Bela e Perigosa", com Sharon Stone), interpretando um Bud White violento, 100% emoção, alternando o ódio e o amor transbordando pelos olhos, transformando-se em potência motora, com a qual parte para cima de seu oponente como um touro enfurecido. L.A, cidade proibida também foi um veículo à altura das interpretações de Kevin Spacey (um grande ator esbanjando charme; sua ausência foi considerada uma das grandes injustiças nas indicações ao Oscar daquele ano), Kim Basinger (na grande interpretação de sua carreira, linda como sempre, competente como não se supunha e merecedora da estatueta que levou para casa).

A ação começa na noite de Natal. O almofadinha Edmund Exley (Guy Pearce, exagerando um pouco na afetação), filho de um herói da polícia de Los Angeles morto em ação, presencia pancadaria na noite de natal na delegacia, denuncia seus companheiros e recebe uma promoção, sendo alvo do ódio de alguns de seus agora subordinados. Um deles, o ex-parceiro de Bud White (Russell Crowe) é assassinado na noite em que é expulso da corporação, juntamente com sua namorada, clone de Rita Hayworth. Em seguida, são assassinados um ex-policial corrupto, um ator aspirante e um grupo de negros acusados de estupro. Exley, Vincennes e White descobrem pouco a pouco a sujeira dentro do departamento de polícia - motivos e circustâncias dos crimes foram forjados para encobrir alguém muito poderoso.

Exley e Spacey investigam juntos a morte do rapaz e dos negros. Paralelamente White investiga a morte de seu ex-parceiro e do ex-policial, parceiros em uma série de falcatruas dentro da polícia. Por conta disso, ele se aproxima da Agência Fleur de Lys e de Lynn Bracken (Kim Basinger), clone de Veronica Lake. Durante as investigações, os três descobrem separadamente que os crimes estão entrelaçados entre si, e que o criminoso-mor pertence ao alto escalão. Vincennes o descobre - o mesmo que matara o pai de Exley - e é assassinado. White e Exley, após desentendimentos, se unem para descobrir o que realmente há por trás dos crimes.

O roteiro é sofisticado e complexo e reserva boas surpresas em pequenos detalhes. Um deles é a cena em que Pierce e Spacey encontram Lana Turner e Jonnhy Stompanatto no bar. Quem conhece um pouco da história de Hollywood sabe que Stompanatto realmente existiu, era comparsa de um chefão da Máfia e tinha um caso com a amante deste, a star Lana Turner. Um dos mais rumorosos escândalos de Hollywood foi o assassinato de Stompanatto, morto pela filha de Lana. Por tudo o que o filme é e tudo o que pode ser descoberto nas entrelinhas, vale a pena dar uma olhada em L.A, cidade proibida - diversão, cinemão, Hollywood com a cara de Hollywood.