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Schumacher (quase) acerta a mão em Um dia de Fúria
Michael Douglas se arma até os dentes para anfrentar o stress do cotidiano
Por Edilson Saçashima
A idéia é promissora: como um cidadão comum pode reagir a todo o stress que envolve o cotidiano de uma grande cidade? Para Michael Douglas a solução é enfrentar o problema a tiro, literalmente. Ele interpreta um cidadão comum que tem um dia em que tudo dá errado: o congestionamento monstruoso impede o fluxo do trânsito, sua ex-mulher não quer que ele se encontre com sua filha, uma gangue tenta assaltá-lo. Todos esses eventos, entre outros, detonam uma reação violenta no cidadão. Só esta premissa permite vislumbrar um filme, no mínimo, original.
Os elementos que envolvem a trama também contribuem para que a expectativa seja grande. O cidadão, por exemplo, não é tratado como um indivíduo, com nome e sobrenome. Ao contrário, sua única identidade é a placa do seu carro que, não por acaso, é identificada pelo termo D-FENS (referência a defesa, em inglês). Portanto, estamos diante do que o cineasta acredita ser o arquétipo do cidadão comum americano. A trama do filme se desenvolve a partir da confrontação desse indivíduo com os diversos componentes (ou males?) que caracterizam a sociedade contemporânea. Vemos como a violência urbana, os congestionamentos de trânsito, a mídia, a desestruturação da família, o preconceito (racial e social), o mal gerenciamento dos recursos públicos entre outras questões, podem afetar o cidadão (e como ele vai se defender disso). Mas não é só. O cidadão é envolvido numa espiral crescente de violência. Ele próprio se envolve neste processo e começa a se armar, inicialmente com apenas um bastão de beisebol, mas depois toma posse de um canivete, uma sacola de armamentos pesados até culminar numa bazuca (isso mesmo!). Tudo isso envolto em um clima de tensão constante e de violência latente. Enfim, um grande filme, certo? Nem tanto.
O grande senão desta obra é a irregularidade com que Joel Schumacher dirige este filme. Alguns personagens parecem extremamente estereotipados, como o vendedor de uma loja de roupas que, na verdade, é um nazista que guarda verdadeiros ícones do Terceiro Reich. Além disso, algumas cenas são absolutamente inverossímeis. Numa delas, Michael Douglas, parado diante de um telefone público, não sofre um único arranhão após uma gangue ter disparado uma rajada de balas de metralhadora que feriu vários pedestres que estavam em volta de Douglas. Como ele saiu ileso dessa situação, nem Mr. M é capaz de descobrir. Depois dessa, alguns velhos clichês parecem defeitos insignificantes. Um desses clichês adotados por Schumacher é este: o policial (Robert Duvall, neste caso), no seu último dia de trabalho antes de se aposentar, encontra a grande chance de enfrentar seus temores e dar a volta por cima perante seus demais companheiros de corporação. Enfim, uma porcaria de filme, certo? Nem tanto.
Joel Schumacher é o responsável por sepultar a série Batman com o desastre Batman & Robin. Além desse, o diretor esteve a frente de outros abacaxis, como o desprezível 8MM. Por outro lado, o cineasta dirigiu filmes bacanas como O Cliente e Os Garotos Perdidos. Um Dia de Fúria se enquadra neste último grupo. Os bons momentos acabam prevalecendo sobre os maus nos 112 minutos do filme, para sorte dos espectadores. Não será com este filme que Schumacher deixará o público enfurecido.
UM DIA DE FÚRIA
(Falling Down, 1993) 112 min. Direção: Joel Schumacher Elenco: Michael Douglas, Robert Duvall, Barbara Hershey