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O Shakespeare em lata para adolescentes

Dez coisas que eu odeio em você, a Megera Domada teen, é de fazer o velho bardo se revirar no túmulo

Por Adriana Mori

Shakespeare para adolescentes? Ultimamente temos tidos vários exemplos de como o cinema teen tem aproveitado (mal) alguns dos mais célebres livros e peças de teatro. Se Leonardo de Caprio, Claire Danes e companhia conseguiram fazer da versão moderninha de Romeo e Julieta (Romeo+Juliet) um naufrágio sem direito ao vestido verde horroroso de Kate Winslet na noite do Oscar, 10 coisas que eu odeio em você veio para acabar definitivamente com a reputação cinematográficado autor de língua inglesa mais traduzido no mundo. O filme é baseado na peça A Megera Domada, que já rendeu pelo menos duas versões interessantes, uma delas com Liz Taylor e Richard Burton e a outra, mais recente, com Cybil Shepherd e Bruce Willis (sim, foi um episódio excelente de A Gata e o Rato!!!).

A trama é básica. A doce, bela, popular e desejada Bianca só pode namorar se sua irmã também arranjar um namorado. Só que a irmã em questão, Kat, apesar de ser bonita, é uma peste, a mais anti social, antipática, de quem todo mundo quer distância - óbvio, por causa de um trauma do passado que é o porquê dela não querer saber de namorados. Aí, o pretendente bonzinho de Bianca e o mau caráter (o cara é igualzinho ao Vavá, o pagodeiro do grupo Karametade, em versão anabolizada) compram o esquisitão da escola para conquistar Kat.

Como o amor é lindo e as tramas teen nunca se renovam, Kat e o esquisito Patrick Verona (será em homenagem à cidade onde se desenrola Romeu & Julieta?) se entendem, ele descobre que realmente gosta dela e vira um namorado exemplar. Bianca se dá bem com o bonzinho, o mau caráter se dá mal no final, blá-blá-blá. No desenrolar da história, pequenas gags juvenis, como a orientadora da escola ninfo-infomaníaca, as aulas de biologia com sapos sendo destroçados, os desentendimentos com o pai que no final acaba fazendo as vontades das filhas, as aulas de educação física e a festa de arromba, com direito à festa de formatura no final da história, para o ajuste final de contas. Ou seja, nada que Jonh Hughes não tenha feito melhor na metade da década de 80 com a Garota de Rosa Shocking.