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O maior faroeste de todos os tempos
Ignorado pela crítica e público,
Consciências Mortas é um marco do cinemaPor Rodrigo Flores
Se você voluntariamente decidiu ler uma crítica sobre um faroeste rodado em 1943, aqui vão os meus sinceros parabéns. Você pode se considerar um cinéfilo, e dos bons. Tentarei fazer um texto ao nível de suas qualidades, caro leitor.
Apesar de discriminado, o gênero western já produziu algumas obras-primas. De cabeça cito Rastros de Ódio, Nos Tempos das Diligências e O Homem que Matou o Facínora como marcos do cinema, que nada devem para dramas e aventuras já consagrados. Mas confesso que, para mim, nenhum deles se iguala a Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident, EUA, 1943).
A história é relativamente simples. Ao saber de um roubo de gado nas proximidades, a população de uma pequena cidade do velho oeste decide fazer justiça com as próprias mãos, enforcando os supostos responsáveis pelo crime.
Dentro de sua simplicidade, o filme revoluciona. O senso de justiça, o respeito às diferenças, às minorias e às liberdades individuais são apresentados em um gênero até então restrito ao mero entretenimento. É corajoso quando critica abertamente estereótipos da sociedade norte-americana durante o auge da Segunda Guerra Mundial. E é lírico ao terminar da forma como começou, dando uma perspectiva pessimista, como se as vidas perdidas durante o filme fossem em vão. Tudo isso de forma concisa, em pouco mais de uma hora.
Se você acredita que um faroeste pode ser muito mais do que o "bangue-bangue à italiana", este é o filme.
CONSCIÊNCIAS MORTAS (The Ox-Bow Incident, EUA, 1943). De William Wellman. Com Henry Fonda, Dana Andrews, Mary Beth Hughes, Anthony Quinn. 75 min. ![]()